Se você já esteve na Disney ou qualquer outro destino nos Estados Unidos, com certeza você já se deparou com eles, os turistas altamente irritantes.

Seja por desrespeitarem os costumes locais, falarem alto demais, se vestirem de forma não apropriada ao local visitado, eles irritam, e bastante, pessoas como nós, os viajantes que se informam um pouco mais e tentam se adaptar às diferenças culturais relativas a cada país visitado.

Este texto é uma adaptação deste outro originalmente publicado no Blog Viagens Dicas.

Castelo do Príncipe Erich, na Nova Fantasyland do parque Magic Kingdom
Castelo do Príncipe Erich, na Nova Fantasyland do parque Magic Kingdom

Vamos aos hábitos dos turistas altamente irritantes na Disney:

1- O hábito de falar alto demais nas filas e atrações

Um dos hábitos dos turistas altamente irritantes na Disney é o de falar alto demais.

Eles fazem isto pelas mais diferentes razões. Alguns acham que o idioma seria uma barreira intransponível e que, isto, seria uma razão para falarem em qualquer volume dentro do seu grupo, muitas vezes até falando palavras de baixo calão. Esquecendo assim que muitas pessoas conseguem entender outros idiomas.

Por mais que os americanos tenham fama de só falarem inglês, pode ser que ele seja o único monoglota dos arredores.

Há também os casos em que os turistas altamente irritantes falam devagar e absurdamente alto (mas em sua língua natal) para tentar fazer com que o estrangeiro os entenda.

Certa vez, no Biergarten, o restaurante Alemão no Epcot, um casal de brasileiros monoglotas sentou ao nosso lado à mesa. As mesas deste restaurante são o que eles gostam de chamar mesas comunais, em que pessoas que não se conhecem são colocadas juntas para socializarem. É parte do tema Oktoberfest deste restaurante.

Este casal, na sua vez de fazerem o pedido de bebidas, em vez de terem decorado as “terrivelmente difíceis” (wink wink) palavras da língua inglesa, “Coke” e “Water”, optaram por berrar para a garçonete alemã as palavras em sua língua materna, pronunciadas quase sílaba à sílaba.

Ahhhh-Guuuuaaa!, CóóóóCaaaaa!

Turistas brasileiros monoglotas no Epcot

Eles berravam algo como Ahhhh-Guuuuaaa!, CóóóóCaaaaa!. Esperando que a garçonete alemã trabalhando nos Estados Unidos os compreendesse. Claro que nenhuma destas palavras significou algo para a coitada, que fez uma bela cara de interrogação, meio que pedindo ajuda. Eu prontamente fiz uma intervenção, e passei a ocupar o papel de intérprete entre os monoglotas e a simpática garçonete.

O que nos leva imediatamente a outro dos 7 hábitos dos turistas altamente irritantes na Disney, que é:

2- Não entender o mínimo da língua local, nem o basicão

Ninguém precisa dominar um idioma estrangeiro para poder viajar para qualquer destino. Mas, existem 2 possibilidades que permitem à qualquer pessoa viajar para praticamente qualquer destino do mundo.

A primeira seria um bom domínio do idioma inglês. Sendo este o idioma aceito como universal, a capacidade de fluência neste, mesmo que com um vocabulário nem tão rico, permite à praticamente qualquer pessoa viajar sem medo por toda a Europa e outros destinos. (lembre-se, temos parques Disney na França, China, Hong Kong, e Japão)

A outra possibilidade seria aprender ao menos expressões e palavras comuns do idioma local dos destinos para onde se planeja viajar. A internet é uma ótima ferramenta de pesquisa e estudo neste caso.

Outra opção seria a compra de um daqueles livros com frases prontas para viajantes. Parece besteira, mas estes livros podem ajudar bastante em uma viagem.

A alternativa ideal, em minha opinião, seria uma solução combinada. Ou seja, viajar com bom domínio da língua inglesa e, somado a isto, um treinamento, mesmo que breve, nas palavras e frases básicas da língua de qualquer destino que não tenha o inglês como língua principal.

Tem outro detalhe, “se fazer de bobo” e fingir que não entende nada de inglês costuma ser uma estratégia para os espertinhos que querem tirar proveito de algumas situações, o que nos leva ao próximo item da lista.

3- Não respeitar os serviços que funcionam na base da confiança

Vocês que já viajaram para a Europa com certeza já se depararam com serviços que funcionam totalmente na base da confiança. Uma coisa é dizer que eles não funcionariam no Brasil em função da cultura do jeitinho, dominante por aqui.

Na Disney existem alguns desses serviços, dois exemplos são estacionamento nos hotéis, que tem a função específica de servirem para quem esta visitando e/ou indo jantar neles, e o refill de refrigerante, que de tão abusado de formas ilícitas a Disney precisou colocar um chip eletrônico nas mugs.

Outra completamente diferente é viajar para destinos onde estes serviços funcionam normalmente e querer usar o jeitinho brasileiro para não pagar pelo serviço.

Os brasileiros tem sido muito bem-vindos no exterior nos últimos anos, principalmente por sua fama de gastadores e consumistas. Isto tem feito todos se sentirem bem ao viajarem para o exterior. Os brasileiros deveriam dar a contra-partida à estas portas abertas e se adaptarem da melhor maneira possível à cultura local do destino escolhido.

Deixar de pagar pelo metrô ou ônibus, roubar o jornal em uma banca de revistas sem atendente, roubar pães em uma padaria que, no horário da ciesta, deixa vários sacos de pães no lado de fora com uma cestinha de dinheiro para que o cliente pague sozinho e faça seu próprio troco, são só alguns exemplos que, para vários brasileiros que viajam, são oportunidades para que possam tirar proveito e obterem algo de graça, ou seja, roubarem.

Filas são outra oportunidade para os espertinhos de plantão, o que nos leva ao próximo ponto.

4- O terrível hábito de não respeitar filas

Você já esteve em algum aeroporto no exterior e viu algum “espertinho” furando uma fila? Pois bem, a chance é bastante grande de ele ser brasileiro. Infelizmente é verdade.

Ok, ok, existem pessoas de todas as nacionalidades que tem essas atitudes, mas a gente repara mais quando são nossos compatriotas. Além de irritar mais pois, esses espertinhos podem sujar ainda mais a nossa imagem.

No Brasil, a maioria das pessoas não é acostumada a fazer e se comportar adequadamente em filas. No Brasil, na maioria das vezes, dar um jeito de entrar mais à frente na fila é considerando algo a ser feito, algo que é esperado de pessoas espertas(inhas), e não algo a ser evitado.

Nos países mais desenvolvidos, a coisa é diferente (talvez por isto mesmo eles sejam chamados de países desenvolvidos). Nestes destinos, é esperado de você que você saiba se comportar em uma fila. Saiba onde a fila começa e, obviamente, saiba que é lá o seu lugar já que você acabou de chegar.

Um executivo brasileiro teria sido empregado na década de 90 pela Disney para criar uma estratégia junto às operadoras e grandes agências de viagem, com o intuito de “domar” o público brasileiro em geral, principalmente o adolescente.

Existe até uma estória que chega a parecer lenda urbana, mas parece ser verdade, em que um brasileiro foi contratado pela Disney e, uma de suas funções principais era a de visitar as principais operadoras de turismo brasileiras e grandes agências para educar esse pessoal, para que eles pudessem educar seus passageiros a se comportarem melhor na Disney.

Isso aconteceu naquele boom de viagens para a Disney que veio junto com a moeda forte em meados da década de 90.

5- O terrível hábito de ver defeito em tudo

Por mais que algumas coisas possam ser melhores em casa, não há razão para viajar se for só para ficar vendo defeito em tudo.

E sejamos francos aqui, a não ser que você esteja viajando para um destino do terceiro mundo, na prática, há mais razões para elogios do que para reclamações quando se viaja ao exterior. Pelo menos no que se refere à infraestrutura, segurança, qualidade dos serviços, etc.

Tem gente que reclama de tudo ao voltar de uma viagem a Disney. Reclama da comida, reclama que poucos lá entendem português (duh!), reclama do Happily Ever After (essa é o fim da picada, amigos), reclama dos preços (melhor se informar antes de mergulhar em uma aventura cara como essa).

Vocês já pararam pra pensar que existem pessoas que (ao menos em tese), possuem certo nível social e até cultural (a parte mais importante) e, mesmo assim, parecem não valorizar e, até mesmo merecer essas viagens internacionais?

É uma pena, mas, se a pessoa só reclama, talvez seja melhor ela desistir de viajar e ficar curtindo sua casa e o seu cotidiano.

6- O bizarro hábito de se vestir de forma inadequada

Autores de guias e livros de viagens, como o especialista em Europa Rick Steves, defendem que evitemos nos vestir de forma que evidencie que somos turistas. É claro que os nativos acabarão notando que somos visitantes em função de outros detalhes, mas podemos deixar este fato menos evidente.

Isto é principalmente válido em viagens à Europa, onde o uso de shorts, bermudas e camisetas sem manga são associados a resorts, tanto à beira-mar como à beira de lagos. O uso deste tipo de roupa fora do contexto mencionado acima aumenta a chance de ficar evidente que você é um turista.

Muitas pessoas, quando em viagem para a Itália ou qualquer outro destino europeu, tentam entrar em catedrais como o Duomo di Milano ou qualquer outra igreja européia e alguns museus com suas axilas (yuck!) e ombros à mostra.

O bom é que, para os que não tem tanto bom senso quanto gostaríamos, existem as regras. Em outras palavras, mesmo que você tente, sua entrada não vai ser permitida na grande maioria da catedrais e igrejas européias. Para evitar ser barrado(a), não use blusas ou camisetas sem mangas na Europa. O mesmo vale para bermudas, que também podem significar ficar de fora de alguns dos locais que você eventualmente pretenda visitar.

Já no caso dos parques Disney, os problemas costumam ser mais funcionais do que estilísticos.

Paty passando creme hidratante nas minhas bolhas nos pés em nossa primeira visita a Orlando, em 2009

Um exemplo recorrente tem relação com a mania de alguns brasileiros de acharem que chinelos estilo Havaianas seriam uma ótima opção para fazer caminhadas de mais de 10km em um único dia.

Me conte, você sairia para fazer aquela caminhada de exercício físico pelo seu bairro de “Flip-flops” (o típico chinelo)? Garanto que não. E olha que a maioria dessas caminhadas são bem mais breves, tanto em tempo, quanto também em distância, do que um típico dia de visita aos parque temáticos Disney.

O resultado dessa “banzisse”? Calos e pontos de calor nos pés e no meio dos dedos.

Outra dessas seria a ideia de inaugurar seus tênis recém-comprados num dos Premium Outlets nos parques. Isso também é garantia de treta para os seus pezinhos. Tenha pena dos seus membros inferiores e use tênis que já tenham sido bem “amaciados”.

7- O hábito irritante de voltar da viagem dizendo que comeu mal

Quantas vezes você perguntou para alguém que acabou de voltar de viagem, como foi sua visita aos Estados Unidos ou Europa, só para dar início à uma chata e irritante narrativa de como foi terrível ter de comer tantas coisas ruins naqueles destinos.

A estória mais comum é a de que nos Estados Unidos só se come hambúrguer. Há até mesmo casos em que os relatos vão mais além. Em alguns deles até mesmo perda de peso é citada como uma das consequências de só ter comido hambúrgueres. Dá pra acreditar?

O delicioso Pot Roast, do restaurante Liberty Tree Tavern, no parque Magic Kingdom, da Disney

Quando o viajante (ou neste caso seria viajão?) acaba de voltar da Europa, normalmente a estória se refere à dificuldade de comer carne na Europa? Sério mesmo? Tem certeza que foi da Europa mesmo que você voltou?

That’s B.S.!

Se você esteve na Itália, você não notou algo no cardápio chamado Secondi? Secondi literalmente significa Segundos, se referindo às opções de segundos pratos, ou pratos principais. Isto porque na Itália, assim como em alguns outros países, à não ser que você vá comer Fast Food, a comida vem em etapas.

Estas etapas são normalmente compostas por Primo (Primeiro, normalmente Pasta ou Risoto), Secondo (Segundo, normalmente algum tipo de carne, peixe ou até mesmo queijo), Contorno (Prato lateral ou acompanhamento, normalmente batatas, vegetais ou salada) e Dolce (Doce ou sobremesa). Mas podendo incluir também Antipasti (entrada).

Ah, mas e nos Estados Unidos? Lá a comida é ruim mesmo né? – Claro que não!

O principal fator quando ser trata de comer bem ou mal, é a mentalidade com a qual o turista vai ao destino. Isso chega a ser mais importante do que o próprio destino.

Em outras palavras, a razão pela qual muitos “viajões” voltam de Orlando, Flórida, ou outros destinos americanos dizendo que lá só se come hambúrguer, é que este individuo já saiu do Brasil pensando que era só isso que ele iria encontrar por lá.

Sabe aquele conceito de que depois que a pessoa decide viajar para a Disney tudo que aparece pra ela, sejam capas de revista, artigos online, anúncios, etc, tudo fala de Orlando? É a mesma coisa que acontece com pessoas que saem daqui já com a “certeza” de que lá só encontrarão hambúrguer, pois é só isso que elas conseguiriam enxergar.

E isso não é pra dizer que comer hambúrguer seja algo ruim. Muito pelo contrário, existem deliciosas opções de hambúrguer por lá, com qualidade muito superior aos queridinhos da brasileirada. O ponto aqui é que em Orlando você pode comer o tipo de comida que quiser, desde que você saiba onde procurar e como pedir.

Considerações Finais

Se você está lendo este artigo, a chance é grande de você não querer ser um turista irritante ou, pelo menos, deseja deixar de ser um. Ótimo!

Informar-se melhor antes de viajar é o caminho para uma experiência cada vez melhor. Os restaurantes nos Estados Unidos servem todo o tipo de comida. Não há razão para ter medo. Mesmo na Europa, se você pedir com jeito, conseguirá comer o que deseja.

Se você evitar os comportamentos citados acima, tanto você como as pessoas que estiverem viajando com você terão uma experiência bem melhor e aproveitarão bem mais a viagem, garantidamente!

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